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Decidi estar presente no próximo domingo na 1ª Assembleia de filiados do PARTIDO DEMOCRÁTICO REPUBLICANO recém constituído.

Estarei lá de corpo inteiro, isto é como filiado.

Eis as razões:
Desde 1976 com a eleição do 1º governo constitucional o País tem sido governado, isolada ou coligadamente pelo PS, pelo PPD/PSD e pelo CDS/PP.

Até 1982 , data da 1ª revisão constitucional, o argumento, se bem que falso, para a quebra sistemática das promessas eleitorais, foi a presença dos militares num órgão de soberania não eleito , o Conselho da Revolução.

Porém a partir dessa data, portanto há trinta e três longos anos, estes partidos, abastardando o seu dever maior, de serem escolas de formação cívica, e, renegando de forma sistemática os seus programas e as suas reiteradas promessas eleitorais, delapidaram as oportunidades surgidas de servirem Portugal e o nosso Povo.

Ao invés, engendraram uma complexa e mafiosa teia de interesses, hoje solidamente instalados, simulando mudanças na forma e no discurso, mas sempre alimentando uma cadeia infernal de carreirismo, clientelismo e mesmo nepotismo.

Estabelecendo um permanente conúbio entre o Poder económico-financeiro, que propositadamente recrearam , favorecendo grupos específicos, reerguendo monopólios de interesses, puseram a sociedade civil de mãos atadas, sufocada pela comunicação social aderente ao sistema corrupto, e por fim, colocaram a Pátria portuguesa na bancarrota e as gerações vindouras com um carrego insuportável.

Sem pudor, os seus homens de mão e afiliados protagonizaram os dois maiores roubo de que reza a História de Portugal, as burlas do BPN/SLN e do BES/GES, além de outros de dimensão volumosa, e escavacaram a maior empresa portuguesa hoje um arremedo do que foi, a Portugal Telecom.

Na sofreguidão de tudo venderem, diziam eles privatizarem, chegaram ao cúmulo de chamarem privatização, à mera transferência a preço de saldo das empresas estratégicas da àrea da energia , EDP e REN, – para a esfera de um outro Estado , a República Popular da China, isto é para as mãos do Partido Comunista Chinês.

Dificilmente o abandalhamento intelectual, moral e do sentido da Pátria poderia ter ido tão longe.

Talvez tivesse sido também por isso, que num gesto gratuito e de profundo desrespeito pelos portugueses e pela História Pátria, tenham anulado na lei, que não no coração dos portugueses, o feriado que é e será sempre o dia 1º de Dezembro, o dia da Restauração da Independência e da Dignidade de Portugal.

Esta má governação resulta de falhas sistemáticas no escrutínio dos líderes políticos, que assim se revelam ineptos na liderança e permissivos a todas as tropelias incluindo os incontáveis casos de corrupção, incompetência nepotismo e favorecimento sem causa.
Infelizmente temos que juntar a este quadro falhas gravíssimas na liderança empresarial privada que recentemente levaram ao aparecimento e exposição pública de enormes escândalos financeiros, com consequentes prejuízos para o erário público.
A continuada ausência no estrangeiro das sedes de todas as empresas cotadas no PSI, que lhes permite fortes jogadas de fugas aos impostos reflecte por si só o desprezo que a élite empresarial portuguesa vota à sua Pátria.

A aplicação das energias disponíveis no apoio à simples mercância (import-export) e às políticas financeiras rentistas e especulativas em detrimento da economia real tem sido a tónica da má governação.

O zig-zag e indecisões nas políticas educativas de inovação e de investigação são a marca das ùltimas décadas.

Como se nada disto não bastasse assiste-se à despromoção e o continuado desprestigio dos agentes da administração pública, através da subtracção de tarefas que lhe deviam ser estatutariamente atribuídas por lhe serem próprias, e da sua entrega através de práticas de favorecimento e compadrio a agentes exteriores à administração (outsourcings) as mais das vezes onerando o Estado.

Para completar o quadro, o evidente desprestigio dos sistemas de informação da República, pastos de uso privado e objecto de permanentes escândalos.

Sem alternativas de combate politico a não ser o fugaz aparecimento (1985) do partido eanista (prd), beneficiando do anquisolamento e isolamento das esquerdas comunista e extremas esquerdas, que ao sistema corrupto têm dado o contributo de uma aparente diversidade e pluralismo, o chamado BLOCO CENTRAL DE INTERESSES, apoiado à vez ou em conjunto pelos três partidos que controla, apossou-se de todo o aparelho de Estado , domesticou as Forças Armadas, paralisou a Justiça , controlou os MIDIA um a um e até se deu ao luxo de corromper e comprar parte das élites intelectuais, avençando-as na defesa do seus interesses e no seu projecto que reclamam de único possível..
Neste processo, muitos dos mais velhos afastaram-se desgostosos, e milhares dos mais jovens, sobretudo os mais qualificados abandonaram a sua Pátria.

O pedido de ajuda financeira ao estrangeiro que a incrível situação do País exigiu, situação que nasce com o esbanjador consulado cavaquista, segue com a pusilânime gestão de Guterres, agrava-se com a frenética governação de Barroso/Santana e afunda-se ainda mais com o aventureirismo socrático, serviu ao actual grupo governativo, e que há que correr do Poder, como argumento final para as tropelias recém consumadas.

E não são poucas.
Indo para além do que poderia ser negociável e /ou exigível, Passos e o pantomineiro -mor da politica portuguesa que dá pelo nome de Paulo Portas, conseguiram em poucos anos destruir o que restava do património comum, vendendo a preço de saldo o que era essencial guardar em mãos portuguesas.
Com o argumento da austeridade, necessária aliás desde há muito e não de agora, não só não mexeu nas mordomias dos agentes políticos e nas benesses intocáveis dos grupos de interesses, como implicou um sacrifício desmesurado a quem menos podia.

Os números não mentem.
A transferência abrupta de milhares de milhões de euros do rendimento nacional, do factor trabalho para o factor capital, que deu origem ao empobrecimento geral a par do aparecimento de novas grandes fortunas e privilégios para grupos restritos, diz bem do oportunismo e do cinismo da politica recente.

Eis- me portanto neste ponto, indignado, zangado com estes indivíduos nas mãos de quem o Povo depositou e tem depositado os deveres da Boa Governação, fazendo apelo às forças que os meus setenta anos ainda me consentem, para pelo menos, denunciar e combater as iniquidades presentes no quotidiano dos meus concidadãos, e se ainda for possível punir sem hesitação quem nos trouxe até aqui.

Rodrigo Sousa Castro
Sintra, 19.05. 2015