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A segunda Jornada de Trabalho do PDR – Partido Democrático Republicano no Algarve aconteceu no sábado, dia 9 de Maio, no Hotel Montechoro, em Albufeira, a partir das 10:30 horas e estiveram presentes mais de 130 militantes do PDR provindos de Norte a Sul de Portugal.

A primeira parte foi orientada por Pedro Pereira, coordenador do distrito do Algarve, juntamente com os dinamizadores da concelhia de Albufeira, Isabel Vaz e Jorge Magalhães. Na mesa estavam também Luciano Almeida, da concelhia do Porto, Luís Agostinho da concelhia de Portimão e Maria José Pires da concelhia de Loulé.

Pedro Pereira abriu a sessão e tocou em vários pontos importantes como o logro que são as sondagens, a lei de controlo da comunicação social, o modo como esta tem sido dócil e subserviente aos partidos do poder e chamando a atenção para outras situações graves que se vivem na política portuguesa.

Pedro Pereira afirma que este governo está a servir-se das Finanças para funcionar como uma polícia interna. “Os mecanismos de repressão estão a aumentar”, afirma o coordenador distrital, “chamar a este regime em que vivemos de democracia é uma pura falácia”, e continua, “por outro lado, a lei eleitoral é favorável aos partidos que têm mais votos e isso acontece atualmente, mesmo com aqueles que estão representados na Assembleia da República, que é o caso de partidos como o BE e o PCP, embora eles não se mostrem muito ofendidos com isso, que precisam de muito mais votos para eleger um deputado do que qualquer um dos partidos do bloco central”.

A primeira parte da Jornada de Trabalhos do PDR prosseguiu por toda a manhã com intervenções de vários militantes.

A segunda parte da Jornada de Trabalhos contou com a intervenção de Isabel Vaz, a grande anfitriã deste evento, que espera que na apresentação geral de militantes que vai acontecer em Lisboa no dia 24 de Maio, a representação do Algarve seja “pelo menos proporcional à sua contribuição para a economia nacional”.

Isabel Vaz refere algumas questões que estão a “manchar o nosso quotidiano presente no Algarve: o trabalho precário em todos os sentidos que são conhecidos e notórios a nível nacional pois, neste aspeto, a imaginação não tem limite, mas aqui com agravantes, como o aproveitamento que se faz da sazonalidade no turismo e similares.

A mão-de-obra qualificada de profissionais das várias áreas, pois hoje é difícil conseguir um bom canalizador para uma obra ou um bom chefe de sala num hotel. E, vai imperando um certo improviso que se estende ao nível universitário onde o tema da empregabilidade talvez não tenha o tratamento que já merece noutras partes do país e do mundo”.

Isabel Vaz menciona ainda a situação das “portagens na A22 – Via do Infante, que são o que se viu na Páscoa com ajuntamentos de espanhóis aos gritos junto das máquinas de pré-pagamento na fronteira que são a razão primeira dos acidentes mortais na EN125. Os tempos de espera nos cruzamentos desta estrada à hora de ponta” entre outros inconvenientes entravam a vida de quem por aqui trabalha. “E voltamos aos tempos de antanho”, continua Isabel Vaz, “em que o turista chega de avião de Londres a Faro em duas horas e meia e demora cinco horas a chegar ao seu hotel em Lagos. Estas pequenas grandes coisas parecem não afetar o poder que está instalado”.

Isabel Vaz afirma ainda que o Partido Democrático Republicano é “a luz ao fundo do túnel e talvez a única oportunidade para nós, milhares de portuguesas, o que é uma grande responsabilidade. Temos que, neste momento, dizer claramente ao que viemos, sem chavões, para que nos entenda o pescador de Olhão, o agricultor da Golegã e o empresário de Vale do Ave”, e conclui, “desejo que se fale de cabeça erguida, por exemplo, no serviço militar obrigatório, nos emigrantes, no desnorte que há na educação, nos serviços de urgência, na autoridade das polícias, nos sem-abrigo, nas negociatas à volta das necessidades primárias dos cidadãos e tantos outros assuntos quentes que têm andado a ser tratados com pinças e falinhas mansas.”

Jorge Magalhães, também dinamizador da concelhia de Albufeira, afirma que o Partido Democrático Republicano “é o caminho do meio, diferente de bloco central, é o caminho da virtude, das políticas corretas que reabilitará o país e restabelecerá a confiança”.

Sandra Carreira intervém falando das “injustiças e abusos de que temos sido sujeitos por decisões sem escrúpulos e muitas vezes incompetentes. A nossa vida pessoal, familiar e coletiva está ameaçada nos seus direitos e na sua dignidade. Mais do que nunca é hoje necessário trazer à vida cívica e política a força e a criatividade feminina. O seu potencial regenerador será determinante para o estabelecimento de uma sociedade mais justa, mais fraterna e solidária”.

Sandra Carreira garante que as mulheres estarão “na primeira linha do combate coletivo para devolver a esperança aos portugueses” e afirma que “as mulheres têm que conquistar um lugar na sociedade que lhes pertença por merecimento e não por quotas de favor. Para que isso aconteça é imperioso que nós, mulheres, saibamos aproveitar a oportunidade única que o Partido Democrático Republicano nos proporciona”.

Fernando Pacheco, coordenador do distrito do Algarve mostra-se grato pela presença de pessoas que se deslocaram de todos os cantos do país para este encontro e nomeou os militantes do PDR que no distrito do Algarve, têm sido “os companheiros e companheiras da linha da frente do nosso grande projeto cívico e patriótico”, e conclui que Portugal ainda nos escuta em silêncio “mas começa a perguntar e a destrancar a porta do medo para se juntar a nós”.

António Marinho e Pinto encerra a Jornada de Trabalhos do PDR – Partido Democrático Republicano respondendo às várias intervenções e, referindo o tratamento de Jorge Magalhães aos presentes como companheiros, afirma: “nós somos companheiros unidos como os dedos da mão, nós somos companheiros que vamos chegar ao fim desta estrada e vamos recuperar a esperança para Portugal, recuperar a dignidade para as instituições democráticas e para o povo português. Somos companheiros de uma jornada que vai ser longa, vai ser árdua, mas vamos chegar ao fim e unidos como os dedos da mão”.

Marinho e Pinto afirma que “os direitos sociais são direitos humanos e devem ser defendidos como direitos humanos. Não se podem violar os direitos sociais estabelecidos na Constituição da Republica Portuguesa e comumente aceites pela generalidade das Cartas de Direitos Fundamentais como é a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, assim como a Convenção Universal dos Direitos do Homem, que reconhecem a natureza fundadora da dignidade humana aos direitos sociais”, e esclarece que “para o Partido Democrático Republicano, os direitos sociais são direitos humanos justamente a realçar a dignidade da pessoa humana”.

No respeitante ao papel da mulher Marinho e Pinto afirma que vivemos “numa sociedade que se alicerçou em bases fundamentalmente machistas, numa sociedade que exclui parte substancial dos seus membros por serem mulheres. Vivemos numa sociedade que impõe às mulheres esta terrível opção: se queres ser mãe tens que recusar um emprego, se queres ter um emprego tens que recusar a maternidade. Esta sociedade precisa de um solavanco de força inicial e é preciso dizer-lhe com coragem: temos que impor as mulheres à força, não por quotas de favor, como referiu a Sandra Carreira mas pelo mérito que elas têm.” O Partido Democrático Republicano defende a igualdade de oportunidades para todos “e os bons têm que ser escolhidos sejam mulheres ou homens, sejam idosos ou jovens”.

Marinho e Pinto recorda a sua atuação enquanto Bastonário da Ordem dos Advogados: “Posso dizer-vos com orgulho que a única Ordem de Advogados do mundo, o único Colégio de Advogados do mundo, desde sempre, que tem uma maioria de mulheres na sua direção é a Ordem dos Advogados portugueses porque eu assim o quis e por isso lutei. E designei uma mulher para me suceder por ser o melhor membro que eu tinha no Conselho Geral, e foi escolhida por mim, não por ser mulher mas por ser o elemento adequado ao cargo. Essa mulher ganhou as eleições e está a travar o combate como todos nós”.

O líder do PDR garante que “vamos fazer um partido político em que as mulheres tenham exatamente os mesmos direitos, as mesmas oportunidades e as mesmas garantias que os homens”.

Relativamente ao Congresso do Partido Democrático Republicano que vai acontecer no dia 24 de Maio em Lisboa, Marinho e Pinto comunica que “já existem movimentações e isso é sinal de força e vitalidade. Gostaria que este primeiro congresso transmitisse para o exterior a força da unidade, unidos como os dedos da mão. Mostrasse a pluralidade, porque somos diferentes uns dos outros, mas com unidade nos princípios, unidade nas convicções, unidade nos propósitos que nos animam a todos. Gostaria que transmitíssemos para o exterior, não a reprodução do mimetismo, muitas vezes degradado, do que de pior possa existir noutros partidos, mas sim que estamos a construir unidos, a construir determinados, uma alternativa válida, uma alternativa política para o que tem sucedido neste país nos últimos 40 anos”, e realça “nós não somos uma alternativa ao governo do PSD, nós somos uma alternativa ao governo do PSD e às falsas alternâncias do PS. Nós somos uma alternativa ao PSD, ao PS e ao CDS todos juntos. Nós somos a alternativa, porque eles conduziram Portugal à beira do abismo em que este se encontra”.

Marinho e Pinto faz um aviso, “se alguém vem para este partido para colher benefícios pessoais, é melhor sair, é melhor ir procurar outro partido, porque nós não nos guiamos por esses métodos nem temos esses objetivos. Mas todos aqueles que querem mudar Portugal, aqueles que querem mudar a forma degradante e degradada de fazer política em Portugal, são bem-vindos, e todos juntos, vamos prosseguir e pode demorar mais ou menos tempo, mas vamos conseguir.”

O líder do Partido Democrático Republicano fala ainda nas origens da crise atual cuja responsabilidade também cabe à União Europeia que comprou as elites portuguesas para que estas votassem naquilo que lhes interessava e por isso não se importaram com o destino do dinheiro que era entregue a Portugal. Esse dinheiro “foi gasto à vista de todos, na corrupção, na compra de fidelidades políticas, no compadrio partidário, no eleitoralismo primário e só uma parte, se calhar a mais pequena parte foi gasta nos fins a que se destinava”.

Marinho e Pinto comunica ainda que “temos ideias que irão ser amadurecidas e que passam pela regionalização, uma regionalização que tenha também alguma dimensão politica e não só administrativa” e explica que “em 1974, umas das regiões mais atrasadas de Portugal eram os Açores e a Madeira juntamente com algumas regiões de Portugal continental. Com a autonomia dos Açores e da Madeira, essas duas regiões são hoje das mais desenvolvidas de Portugal enquanto as outras regiões continuam a ser das mais atrasadas. Regiões como Trás-os-Montes, Minho, Beira Baixa, Beira Alta, Alentejo, a quem o próprio estado português vira as costas e só lá vão fazer algumas macaquices durante as campanhas eleitorais. É preciso dar a essas pessoas a confiança, a esperança e a certeza de que são portugueses iguais a nós e que têm o mesmo direito que nós a participar nos benefícios do desenvolvimento e têm o direito que o estado lá invista de acordo com as necessidades das populações e não segundo outros critérios”.

Marinho e Pinto afirma ainda que o estado tem que investir na justiça, na saúde, na educação nas regiões do interior do país mais abandonadas “para fixar pessoas e desta forma dar os primeiros passos no sentido do desenvolvimento, no sentido de eliminar a desigualdade que hoje existe” e afirma ainda que “a nossa tarefa é gigantesca, temos muitos obstáculos a vencer, temos inevitavelmente a hostilidade de um sistema seja do PS, seja do PSD, seja do CDS. Temos a hostilidade declarada desses partidos, das clientelas que dominam esses partidos cada vez maiores e mais vorazes e sobretudo de uma comunicação social que está dominada por eles, mas temos que vencer estes obstáculos como antes do 25 de Abril também vencemos a hostilidade do regime e da ditadura contra as forças democráticas que calavam aa nossas iniciativas que prendiam que perseguiam e caluniavam os membros da oposição. Temos que os enfrentar com a mesma determinação com que outrora enfrentámos poderes idênticos e métodos de ação idênticos”.

“Cada um de nós tem a obrigação de, na sua família, no seu emprego, nos seus locais de convívio, nas ruas, levar a mensagem verdadeira do nosso partido para combater as mentiras que sobre nós dizem, para combater o silêncio a que nos tentam reduzir e transformar num fenómeno pitoresco na sociedade e na política portuguesa”.

“Nós somos uma real alternativa a esta decadência, a esta podridão que vem a ser gerada há quase quarenta anos de governos PS – PSD, como se um fosse alternativa ao outro e não a continuação um do outro”, e o líder deste partido, António Marinho e Pinto conclui, “é com o PDR, é com a nossa força, com a nossa determinação e sobretudo com os nossos valores e os nossos princípios que nós vamos dar finalmente a Portugal um sentido, dando um passo que ficará na História, no futuro”.

Paula Ferro

Fonte: Diário Online-Algarve