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Perplexidade

 

Carta sobre a legitimidade da violência

 “Dizem que o rio é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Bertolt Brecht.

O tempo é um livro aberto, onde aprendemos tudo. Mas ninguém pode aprender o que não sabe. A inteligência emocional soçobra, na ausência de sabedoria, e toda a autoridade moral, cessa aí, sumida nas areias da subjetividade.

O Grande General sem Medo, recusando o garrote da ditadura sobre o Povo, afrontou heroica e democraticamente a opressão do Estado Novo.

Venceu! E declarou que demitia o Ditador. Obviamente!

O garrote estrangulou esse Rio da Esperança, criminosamente.

Os patrioteiros decrépitos, a mando do Ditador, usurparam o direito soberano do Povo, e executaram o seu Legítimo Intérprete e Depositário.

É por isso que, quando falamos de terrorismo, convém saber do que estamos a falar.

Acredito na honestidade intelectual elementar, para redimir a má consciência dos homens e reconduzi-los ao mundo real dos vivos. De consciência limpa.

 

Um Povo em farrapos, nunca pode dar-se ao luxo desprezível, de desinscrever os homens mais puros, da condução do eterno combate contra a servidão.

A barricada tem dois lados, e é bom cada um saber de que lado está, sem fingimentos.

O interesse vital da Pátria Portuguesa, nesta hora trágica, interdita qualquer tipo de crédito a julgamentos maliciosos de carácter.

É verdade que muitos de nós, começaram por ser outra coisa. Contudo, antes de julgar os outros, sê capaz de te julgar primeiro a ti próprio, pode acontecer que te envergonhes desse impulso justiceiro.

Se escolheres uma margem para ficar, és livre de o fazer, mas deixa sempre o rio correr em liberdade, porque se assim fizeres, podes contribuir para evitar a violência desnecessária.

Quando Salgueiro Maia marchou sobre Lisboa, com os seus 240 homens, para acabar com a Ditadura, assumiu inteiramente o risco e a necessidade, da justa violência incontornável.

A Nobreza da Ética Militar, ancorada fraternamente no entusiamo do poderoso Rio Popular, produziu um epílogo magnífico, ao descartar a possibilidade iminente do confronto sangrento desnecessário.

 

Fernando Pacheco

 

Fundador do Partido Democrático Republicano