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Marinho Pinto contra «carreirismo» quer cidadãos no poder A reforma da lei eleitoral para a Assembleia da República para criar um círculo uninominal que eleja metade dos 230 deputados e através do qual se possam candidatar cidadãos de forma independente.

Os profissionais da política são, geralmente, pessoas que abandonaram (ou não conseguiram, sequer, começar a exercer) outras actividades. Raramente tiveram uma profissão em que se realizassem como cidadãos e muitos só têm emprego quando o partido está no poder.

Alguns abandonaram (ou não conseguiram concluir) a formação académica para abraçar a profissão de político. Há mesmo quem não esconda a aversão a qualquer forma de trabalho.

Trabalhar é para alguns deles um suplício insuportável. Este fenómeno gera o chamado carreirismo político, uma situação em que o objectivo predominante do agente político é a defesa do próprio interesse profissional de chegar longe e alto. O que verdadeiramente lhe interessa é a própria carreira profissional.

Mal começam a dar os primeiros passos na política (na adolescência ou juventude) eles aprendem logo as boas técnicas do sucesso: cotoveladas, facadas nas costas, estrangulamentos por trás, intriga, conspirações, traições, assaltos ao poder, etc.

Quando chegam a adultos não sabem fazer mais nada, porque, na verdade, nunca fizeram outra coisa.

Alguns até se gabam de terem começado aos 14 anos, como se isso lhes conferisse vantagem competitiva.

Um dos grandes problemas da vida política portuguesa é o peso que nela têm esses carreiristas.

Eles subalternizam acintosamente os interesses dos cidadãos (que dizem representar) em benefício dos próprios interesses e/ou dos partidos em que se acomodaram.

Durante as campanhas eleitorais, eles prometem tudo e o seu contrário aos eleitores, mas, depois de eleitos, deixam de ter qualquer compromisso com quem os elegeu e passam imediatamente a defender os interesses pessoais e a servir não o povo mas as direcções dos partidos, pois que, de outra forma, não voltarão a ser candidatos (e lá se iria a sua carreira política por água abaixo).

Acabar com esse carreirismo é, hoje, uma exigência ética da República.