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Com o partido legalizado e um candidato no terreno, ex-bastonário está a um passo do Parlamento Regional.

“Vai começar agora uma oposição real e frontal ao PSD da Madeira”, promete António Marinho e Pinto. O seu Partido Democrático Republicano (PDR) recebeu, quinta-feira, o aval do Tribunal Constitucional e, mesmo sem órgãos dirigentes eleitos vai avançar em força para o seu primeiro teste nas urnas: as eleições regionais de 29 de março, na Madeira. Marinho não faz prognósticos. “Somos muito humildes”, diz ao Expresso. Mas, contas feitas, a entrada no Parlamento madeirense está quase garantida.

Segundo Marinho e Pinto, a lista de candidatos do PDR às legislativas madeirenses vai ser decidida este fim de semana, em contrarrelógio para cumprir o prazo-limite de entrega das candidaturas, marcado para as 18 horas de segunda-feira. Mas o cabeça de lista já está garantido: João Isidoro, dissidente do PS e eleito deputado regional pelo MPT com quem, mais tarde, se veio a desentender é uma carta segura no baralho político. Ao longo da sua carreira parlamentar conseguiu fixar um eleitorado que lhe garante pelo menos um assento na Assembleia Regional, a que a popularidade de Marinho e Pinto e a novidade do PDR só virá somar lugares.

“Não fazemos caldeiradas”

A nova formação política pode ainda beneficiar da confusão gerada na coligação com que o PS pretende disputar a hegemonia do PSD. Marinho e Pinto marca, desde logo a distância. “Faz parte do nosso ADN não entrar em coligações”, diz sem hesitar, condenado “as caldeiradas com outros partidos que só servem para esconder coisas do eleitorado”. A farpa vai direta para a Mudança, a coligação que junta PS, PTP, MPT e PAN, e que foi recusada pelo Tribunal Constitucional por irregularidades na apresentação de documentos, precisamente no mesmo dia em que o TC deu luz verde ao PDR para avançar.

Victor Freitas, líder do PS e mentor da aliança eleitoral, acredita que as falhas serão corrigidas a tempo. Mas é evidente que o contratempo jurídico não ajuda. Tanto mais que a ideia de repetir a fórmula que levou a oposição a ganhar a Câmara do Funchal nas últimas autárquicas parece cada vez mais difícil no atual momento, que, politicamente, já é substancialmente diferente. No Funchal, em menos de um ano, vários vereadores apresentaram a demissão e não há plano de investimentos para 2015, pois não passou na assembleia municipal por desentendimentos entre os parceiros da coligação.

O PND e o BE – que correm sozinhos – recusaram entrar num modelo semelhante para as regionais e entre os socialistas nem todos acreditam que a Mudança volte a funcionar. À esquerda, o PCP, apresenta-se como sempre e Edgar Silva é o número um de uma lista renovada e cujo objetivo é manter pelo menos o lugar de deputado no parlamento regional. De Santa Cruz, o segundo concelho com mais população da região, chega um novo partido, formado a partir do movimento que ganhou a câmara em 2013. O Juntos Pelo Povo foi legalizado no princípio do mês e, se mantiver a votação das autárquicas, poderá eleger três deputados.

O PSD, ao fim de 40 anos e após a saída do líder carismático, continua a ser o favorito à vitória nas eleições. A única dúvida parece ser por quanto e se chega ou não à maioria absoluta. Miguel Albuquerque renovou a lista, chamou independentes e dos adversários nas diretas do partido apenas Sérgio Marques e Miguel Sousa estão entre os candidatos. Pela primeira vez na história Alberto João Jardim e Jaime Ramos estão fora das listas eleitorais. As escolhas do novo líder social-democrata têm alguns críticos, sobretudo porque os representantes de alguns concelhos rurais não aparecem em lugares elegíveis. O círculo eleitoral é único e regional e os receios são de que os concelhos menos populosos não tenham voz na assembleia.

Fonte: Expresso por Marta Caires e Rosa Pedroso Lima