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“Estamos a trabalhar para montar uma estrutura de bases concelhias. O nosso objectivo é recuperar a grande tradição municipalista portuguesa”. A frase é do eurodeputado e principal promotor do novo Partido Democrático Republicano (PDR), António Marinho e Pinto. O ano que agora começa será determinante para as aspirações políticas do ex-bastonário da Ordem dos Advogados que nas últimas eleições europeias ajudou o MPT a conseguir duas lugares em Bruxelas.

Depois de ter anunciado a criação do PDR – que está à espera da sua formalização no Tribunal Constitucional –, Marinho e Pinto e o seu conselho de fundadores tem trabalhado no sentido de criar as estruturas que irão suportar uma candidatura às próximas legislativas.

E uma das estratégias para a construção das bases está na aproximação aos movimentos independentes eleitos para os diversos municípios portugueses. Marinho e Pinto não esconde os “contactos” nem a “coincidência de princípios”. Isto apesar, frisa, da intenção de arrancar com a abertura de inscrições depois do Tribunal Constitucional oficializar a criação do PDR.

“Nós apoiamos esses movimentos independentes. São essas as pessoas que nós queremos, as que estão cansadas da demagogia”, admitiu Marinho e Pinto ao PÚBLICO. Na base do esforço do eurodeputado está o objectivo de “aumentar a participação” dos portugueses na actividade política. Marinho e Pinto reconheceu o “contacto com mais de uma dezena” desses movimentos, embora até ao momento não se possa confirmar qualquer adesão ao PDR. “Se quiserem integrar-se nas nossas estruturas serão bem-vindos. Alguns aceitarão, outros não, mas isso não altera a nossa ideia de que esses movimentos devem ser apoiados”, assegura.

O eurodeputado não quis adiantar quais os movimentos que se têm revelado mais propensos a vir a integrar o futuro partido. Lembra que o TC não deliberou ainda e que o arranque do processo de inscrições só poderá arrancar após esse passo.

Ainda assim, essa aproximação tem tido episódios visíveis. Nomeadamente em Sintra. O ex-bastonário participou num ciclo de conferências organizado pelo movimento independente que apoiou a eleição de Marco Almeida. “O que posso confirmar é que temos mantido contactos”, reconhece o vereador, antes de reconhecer a partilha de preocupações como a “falta de participação dos cidadãos”.

“Nesta sintonia de posições estamos de acordo em relação à necessidade de reforçar a participação”, acrescenta Marco Almeida. Sobre o PDR, adianta que viu “com bons olhos o seu surgimento”, por ser uma forma de “renovar o sistema”. “Se isto se vai traduzir num apoio específico, a seu tempo veremos”, remata o autarca.

No dia 1 de Setembro passado, o ex-bastonário também participou numa conferência organizada pelo Movimento 51, que elegeu Filipe Viana para vereador na câmara de Ponte de Lima. Marinho e Pinto foi ali falar de “Cidadania Participativa”.

O vereador reconhece também ver “de bom grado” o surgimento do novo partido. “É sempre positivo que surja uma nova participação política que pode mudar o status quo”, afirmou ao PÚBLICO.

No entanto, e apesar de admitir que o movimento está “aberto e disponível para a participação cívica”, Viana acrescenta que, no presente, “não faz sentido [ao Movimento] ultrapassar os limites do concelho”. Depois de frisar que faz parte de um “movimento verdadeiramente independente”, remata que não está previsto actualmente que este se venha a “vincular” ao PDR.  “Vamos ver como as coisas se desenvolvem. Não quer dizer que, de hoje para amanhã, as coisas não possam mudar”, afirma antes de lembrar tem um “órgão colegial” responsável pela decisão sobre o rumo a tomar.

Marinho e Pinto sustenta a opção da recuperação da “grande tradição municipalista” na criação das bases com as linhas programáticas definidas do PDR. “Defendemos a regionalização a partir das assembleias municipais. A regionalização deve partir de baixo”, explica ao PÚBLICO, antes de frisar que a aposta na regionalização serve para “aumentar a participação”: “Não é uma regionalização para aumentar a oferta de lugares políticos. É para diminuir essa despesa, que deve antes ser repartida por todo o país”.

Marinho e Pinto lançou o PDR a 5 de Outubro passado, afirmando ser “preciso abrir os partidos políticos aos ares novos da democracia”. Em Coimbra lançou um apelo a todos aqueles que não se revêem no actual sistema a aderirem ao novo PDR. “Queremos mudar a forma de fazer política em Portugal”, defendeu, sublinhando que “o país tem muito a ganhar com a abertura da política aos cidadãos”.

Fonte: http://www.publico.pt